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O que eu aprendi do sexo gay: misoginia e homofobia

Por Simom Moritz 

Eu não sou quieto durante o sexo. Eu comunico meus desejos e peço o mesmo de meus parceiros. Acredito que isso não só cria um ambiente sexual seguro, mas também contribui para uma experiência mais prazerosa para todos. Se eu emito sons que não são palavras, isso mais ou menos significa que eu estou me divertindo. As pessoas geralmente respondem bem a esse tipo de resposta não verbal; eu somente tive uma pessoa que se opusesse ao meu uso de expressões não verbais, e esse foi o Peter.

Peter é um homem gay com quem eu dormi uma vez. Eu o conheci num bar gay quando eu morava em Nova Iorque, e eu achava que ele era perfeito. Ele trabalhava com jovens homossexuais desabrigados. Ele tinha um cão. Ele era um pouco mais alto que a média, robusto, usava jeans, uma camiseta e um tênis Puma de cano alto. Ele tinha barba. Ele dizia coisas como “Você é tão diferente das pessoas de sua idade.” (ele tinha onze anos a mais que eu) e “Eu nunca vou pra casa de alguém na noite em que eu o conheço”. Quando ele veio para casa comigo e nós estávamos nus em minha cama, ele beijou meu pescoço e eu gemi, num tom alto e resfolegante. Ele parou, olhou-me nos olhos e disse “Não faça isso. É coisa de bicha”.

Isso faz muitos anos, e eu não havia ainda aprendido que pessoas como Peter devem ser, ou ignoradas, ou de quem se deve rir, ou ensinadas. Então eu me tornei a caricatura de “não bicha”: eu urrava (não mais gemia), eu fingia não estar magoado pelo que ele disse (sentimentos são para garotas, como eu lembro de ter aprendido na infância), e tentava agir da maneira mais masculina possível, porque isso era o oposto de ser bicha, o oposto do gay feminino que gesticula, fala rápido num tom alto e diz “meu amor”. Eu me tornei tolo dessa forma porque eu queria que Peter me amasse.

Ele não apareceu no nosso próximo encontro e eu nunca mais ouvi falar dele.

Tendo eventualmente superado o estado típico de sentir raiva de mim mesmo, pensando “O que eu fiz de errado?”, eu me perguntei “O que significa Peter ter me chamado de bicha por expressar prazer?”. Então eu aprendi que pessoas como Peter são parte de um problema ainda maior: misoginia disseminada.

Tipicamente dizemos que “viado”, “maricas”, “mulherzinha”, “pintosa” e “bicha” são palavras homofóbicas, e apesar de elas serem usadas para perpetuar a homofobia, elas não são em si homofóbicas; o uso delas como insulto geralmente se direciona àqueles com o sexo masculino que não agem de maneira suficientemente masculina. Elas premiam a masculinidade ao demonizar a feminilidade. As raízes disso provavelmente estão numa forma antiquada e essencialista de entender o gênero, na qual as mulheres são biologicamente o sexo mais fraco e patético. Hoje sabemos, entretanto, que, além de ser totalmente ofensivo, o essencialismo de gênero é de alguma forma uma babaquice, porque as mulheres podem votar, trabalhar e colocar os homens em situação de submissão e os homens podem cozinhar, fazer faxina e tomar conta das crianças. Apesar de ter sido relativamente fácil desconstruir a misoginia no abuso de Peter, chegar à raiz de porque um homem, enquanto deitado nu com outro homem, beijando-o, chamaria a expressão de prazer desse homem de “muito gay” é um assunto muito mais complicado. Eu sugeriria que Peter me chamar de bicha é parte de uma herança cultural homossexual maior.

Homossexuais vivem numa constante narrativa de luta; hoje nós lutamos pelo casamento legalmente reconhecido, em 2003 lutávamos pelo direito de sexo consensual, mas 60 anos atrás os protagonistas homossexuais lutavam pelo direito de existir em público ou em privado. Para conseguir esses direitos, eles usaram uma estratégia efetiva chamada assimilação, a qual ditava que homossexuais parecessem e agissem o máximo possível com heterossexuais. A Mattachine Society e a Daughters of Bilitis intencionalmente fizeram isso na década de 1950, e essa era provavelmente a opção mais agressiva dizer “nós somos normais, assim como vocês” num tempo em que a polícia era encorajada a fazer batidas em bares gays, prender clientes e publicar seus nomes e rostos no jornal no dia seguinte. “Assim como vocês”, todavia, apagava os homossexuais de cor do movimento e invisibilizava as pessoas trans, porque “assim como vocês” se referia a homens brancos no poder e a suas esposas, os quais tinham o controle de validar legalmente qualquer identidade homossexual. A assimilação foi bem sucedida no que tange à discriminação contra pessoas LGBT ser agora ilegal de várias formas, mas ela também criou um “homem gay aceitável”, ele era branco, masculino e certamente não dizia “meu amor”. Isso também criou e validou uma desculpa favorita para a intolerância antigay: “eu não tenho problemas com pessoas gays, desde que elas não exibam isso”, porque repentinamente houve pessoas gays que não eram “normais”. Homens gays “normais” hoje imitam a desculpa heterossexual para a intolerância ao culpar gays “anormais” pelos maus tratos com os gays no geral.

Peter é um homem gay “normal”, então quando meu comportamento começou a se afastar do “normal”, ele me reprimiu da mesma forma que policiais, professores de educação física ou os pais deveriam ter feito nos anos de 1950 (e hoje, honestamente). 

Apesar de os anos 1950 terem passado há 60 anos, a atitude se mantém disseminada: repare em uma num site de encontros gay ou num aplicativo de smartphone e você verá nossa deturpada herança como “preferências” baseadas na hierarquia de quem consegue passar como um homem heterossexual bem sucedido: “procurando somente por masculinos, musculosos, que não sejam afeminados, e somente brancos”. Apesar da ironia de que nenhum de nós seja heterossexual não me escapar, eu gostaria de focar mais em como isso é regressivo; nós estamos literalmente contribuindo para a nossa própria opressão ao sustentar essa herança bizarra de misoginia, criada nos anos 1950.

Então vamos fazer a vida de todos os homossexuais mais fáceis e parar de imitar as piores partes do heterossesxismo. Quem sabe? Nós até poderíamos começar a apoiar uns aos outros. Quão revolucionário.

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Em: http://www.huffingtonpost.com/simon-moritz/what-i-learned-from-gay-sex-misogyny-and-homophobia_b_3092418.html

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Estatuto do Nascituro: a mulher que se foda

Hoje o Estatuto do Nascituro foi aprovado na Comissão de Finanças.
Ainda falta ser aprovado na Comissão de Justiça a no Plenário. Mas não duvido nada que seja. Nunca ouviu falar do Estatuto do Nascituro? Basicamente é o seguinte: um ÓVULO FECUNDADO vai ter mais direitos do que eu, do que a sua mãe, do que a sua irmã e do que a minha filha e todas as outras mulheres do Brasil. Se, digamos, minha filha de nove anos fosse estuprada e engravidasse, não teria direito a fazer um aborto; teria de manter o filho do agressor. Se caso não tivesse recursos para sustentar a criança (!!!), o Estado se responsabilizaria com a apelidada BOLSA ESTUPRO até os 18 anos do filho - isso caso o estuprador não fosse identificado e RESPONSABILIZADO. Aborto de anencéfalo? Esquece. Risco de vida pra mãe? Foda-se a mãe. Trauma? Foda-se a mãe. 
O aborto ilegal já causa 22% das mortes maternas. Com essa monstruosidade aprovada, é provável que esse número dobre, triplique. Criminalizar o aborto não é solução. Já falei sobre isso aqui
Mas isso é muito, muito pior. Até o "aborto culposo" querem inventar. Sabe homicídio culposo, onde a pessoa não tem a intenção de matar? Então. Vai ser a mesma coisa se a mulher abortar acidentalmente. Ela será investigada. Imagina só perder um filho e ainda ser suspeita disso? 
Se a mãe correr risco de vida e precisar de um tratamento que coloque em perigo a vida do feto, ela será proibida de se tratar. Afinal, a vida de um amontoado de células que ainda não nasceu, não tem personalidade, não tem consciência, é evidentemente mais importante do que a de uma mulher formada. 

Vejamos alguns dos artigos dessa aberração: 

Art.1º Esta lei dispõe sobre a proteção integral ao nascituro.
O embrião, você quer dizer. O amontoado de células.

Art. 2º Nascituro é o ser humano concebido, mas ainda não nascido.
Pff.

Parágrafo único. O conceito de nascituro inclui os seres humanos concebidos “in vitro”, os produzidos através de clonagem ou por outro meio científica e eticamente aceito.

 Quer dizer, ATÉ UM CLONE é mais importante do que a vida da mãe.

Art. 4º É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar ao nascituro, com absoluta prioridade, a expectativa do direito à vida, à saúde, à alimentação, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar, além de colocá-lo a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

SENHORES, NÃO SEI SE VOCÊ SABEM, MAS ELE AINDA NÃO NASCEU.

Art. 9º É vedado ao Estado e aos particulares discriminar o nascituro, privando-o da expectativa de algum direito, em razão do sexo, da idade, da etnia, da origem, da deficiência física ou mental ou da probalidade de sobrevida.

E a mãe que se foda.

Art. 10º O nascituro deficiente terá à sua disposição todos os meios terapêuticos e profiláticos existentes para prevenir, reparar ou minimizar sua deficiências, haja ou não expectativa de sobrevida extra-uterina.

E a mãe que se foda, depois de ter passado uma gestação inteira sabendo que o filho não sobreviveria. 

Art. 13 O nascituro concebido em um ato de violência sexual não sofrerá qualquer discriminação ou restrição de direitos, assegurandolhe, ainda, os seguintes:

I – direito prioritário à assistência pré-natal, com acompanhamento psicológico da gestante;

II – direito a pensão alimentícia equivalente a 1 (um) salário mínimo, até que complete dezoito anos;

III – direito prioritário à adoção, caso a mãe não queira assumir a criança após o nascimento.

Parágrafo único. Se for identificado o genitor, será ele o responsável pela pensão alimentícia a que se refere o inciso II deste artigo; se não for identificado, ou se for insolvente, a obrigação recairá sobre o Estado.

 Quer dizer: se uma menina for estuprada pelo próprio pai e engravidar, ela vai ter que carregar o filho/irmão, parir, criar e ainda ter que lidar com o pai de ambos, ou colocar o filho para adoção, como se os orfanatos fossem lugares bacanérrimos, como se o processo de adoção fosse algo fácil, como se isso tudo tivesse alguma conexão com a realidade. Se uma mulher for estuprada por desconhecido, até parece que vão caçar o cara para que ele dê pensão. Não sei o que é pior, o Estado oferecer a pensão ou sugerirem que o ESTUPRADOR pague pensão. Ele deveria estar preso, não deveria? Se encontrado, o estuprador não seria preso, mas obrigado a sustentar um filho? Vão querer visita obrigatória também? É completamente fora da realidade. Completamente. É de uma falta de empatia que eu nunca vi nessa vida. Obrigar uma mulher a carregar o fruto de uma violência é acabar com a vida dela. Ou seja, mais uma vez: FODA-SE A MÃE.

É basicamente isso que diz o Estatuto do Nascituro: foda-se a mãe, foda-se a mulher que sofreu violência, foda-se a vida delas. O que importa é a vida que foi gerada. 

E isso é baseado em que, mesmo?

Crenças. Crenças de que DEUS mandou essa vida. Gente, olha só, eu sou atéia, eu não tenho DEUS ALGUM. Se você tem um deus e ele não quer que você aborte, apenas NÃO ABORTE. Mas tire as suas idéias, as suas crenças e essa violência toda do corpo das outras mulheres. Das mulheres. De todas as mulheres. 

O Estado não pode mandar em nossos corpos. 


Não podemos aceitar. Não podemos nos calar. Não podemos deixar que os fundamentalistas religiosos tomem assim esse país.

O
ESTADO

DEVE

SER

LAICO.

Se não lutarmos por isso, se não fizermos barulho, retrocederemos mais e mais e mais até, sei lá, não podermos usar energia elétrica ou remédios. 

Conto com vocês pra fazer um escarcéu.

Texto disponível em Clara Averburk, em 05 de junho de 2013.

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Sobre a auto-estima da mulher negra e o ser “preta e metida”

Por Verônica Rocha para as Blogueiras Negras
Considerando que vivemos em um mundo em que negrxs são constantemente colocadxs “no seu lugar”, submetidxs a mercado de trabalho racista, mídia racista, padrão de beleza eurocêntrico, e tudo o mais, a auto-estima de negrxs incomoda. É como se fosse uma ousadia, esse passar por cima do que lhe é imposto, passar por cima de tudo que tenta colocá-lx em seu lugar. Já escutei e muitos devem ter escutado pelo menos uma vez na vida a expressão “Que pretx metidx!” por parte de pessoas ao se referirem a negrxs que transparecem segurança e auto-estima, em relação a própria aparência e/ou ao que faz e a posição na qual está, e sem se deixar intimidar. O que acontece muito comumente é, não essa expressão ser claramente proferida, mas que o conceito por trás dela fique implícito na fala, incômodo, e reação das pessoas.
Em consequência disso, a situação específica da mulher negra e sua auto-estima é muito complexa. Como mulheres negras, constantemente somos ditas pela sociedade pra nos sentirmos coagidas e inferiores. Nossos cabelos são “ruins”, somos feias, escuras demais, nariz largo demais, jamais ocuparemos uma posição da qual possamos nos orgulhar, não somos capazes de muita coisa. A ordem é que nós saibamos o que somos, para que servimos, qual é nossa posição no mercado e no mundo, e que estejamos o tempo todo tentando nos adaptar ao que é beleza de verdade. Nós mulheres negras temos toda uma vida de experiências pessoais que dizem respeito a constantes tentativas violentas de sabotagem de nossa auto-estima, vindas de todos os âmbitos e parte imagináveis.
Sendo assim, meninas e mulheres negras com auto-estima são uma afronta para o mundo. É simplesmente errado, como todas as nossas tentativas de te diminuir e negar sua beleza, importância, capacidade e talento para o mundo não funcionaram?
Considero que a atriz e cantora Preta Gil pode ser usada como um dos exemplos (que não faltam), de que mulheres negras com auto-estima despertam ódio. Frequentemente chacota de humoristas imbecis e sem talento, ela virou seu alvo favorito. Virou a referência de mulher “feia”. Pois sendo preta e gorda, com muita segurança, que fala o que quer, e sem vergonha nenhuma de ter muita auto-estima e deixar isso bem claro, incomoda muita gente. O senso-comum criado e reforçado sobre ela é que é um disparate ela se achar bonita e gostosa, não se deixar intimidar, ser livre, rir alto, fazer muito sexo e se sentir à vontade consigo mesma e com o próprio corpo. Todas as piadas, a chacota, a obsessão dos humoristas e do público em relação a ela contém um implícito “Como você ousa? ‘Se enxergue’, coloque-se no seu lugar”.
Preta Gil
Preta Gil é amada por sua auto-estima impecável. Imagem – Reprodução
O caso da menina Quvenzhané Wallis, de apenas nove anos, linda e cheia de potencial atriz de Indomável Sonhadora, é um ótimo exemplo recente. Quvenzhané sempre se mostra desinibida e segura, nunca abaixou a cabeça pra nenhum repórter, e em todas as vezes que (não foram poucas) fizeram chacota com seu nome, ela insistiu em querer ser chamada pelo seu nome, e que aprendessem a falar o nome dela, que se adaptassem a ela e não ao contrário. Na noite do Oscar 2013, eis que o twitter do site de entretenimento The Onion fez o seguinte comentário: “Everyone else is afraid to say it but that Quvenzhané Wallis is kind of a cunt, right?”. O que quer dizer mais ou menos (livre tradução), “Todo mundo tá com medo de falar, mas essa Quvenzhané Wallis é uma vadiazinha, não é mesmo?” A palavra “cunt” é um palavrão usado para xingar mulheres (é primeiramente, um palavrão usado para vagina), um quase sinônimo
do famoso “bitch” (vadia). O que leva alguém a falar isso sobre uma criança? Dá pra imaginar o mesmo sendo falado sobre Dakota Fanning? Deve ter representado o que muita gente deve pensar. Como ela é tão audaz? Como ela responde aos repórteres assim de cabeça em pé, como se estivesse falando de igual pra igual e ainda exigindo que seu nome seja falado corretamente? Nós vamos te chamar do que quisermos, já não era pra você estar ocupando esse lugar, mas estar ocupando esse lugar e ainda tão segura de si, sem estar humildemente reconhecendo que é um milagre você estar aí, é o cúmulo, sua pretinha metida.
Nós mulheres negras, vamos nos achar sim. Se achar é direito e dever nosso. Vamos nos orgulhar de nós mesmas, das nossas raízes, da nossa História, da nossa história pessoal, do nosso tom de pele, das feições, do corpo, do cabelo. Da posição que em estamos, do que conquistamos e do que somos capazes, da nossa força. E sempre buscar por mais, ter ciência do próprio talento, da nossa capacidade e do quanto podemos conquistar, o quanto nossa voz importa. Ter auto-estima, poder sobre nossos corpos e sexualidade, é nosso direito. Ser preta e metida. PRETA sim. E “metida”.
É fundamental para a nossa resistência e luta, a nossa auto-estima. A consciência de que somos lindas. De que temos direito a autonomia sobre nossos corpos, cabelos, e sexualidade. De que vamos manter a cabeça em pé, te encarar de igual para igual, sempre cientes de que capacidade e talento para conquistar qualquer coisa não nos falta. Que somos muito fortes e não vamos engolir o mundo nos empurra goela abaixo, e não vamos nos submeter ao constante apagamento que nos é feito. Que podemos e vamos tomar todos os espaços, para o lamento de quem se incomodar.

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Vadia, em marcha!

Marcha das Vadias, Porto Alegre, 26 de maio 2013.


"Quando uma mulher avança, nenhum homem retrocede!"
"Mulher LINDA é mulher LIVRE dos padrões do CIStema!"
"A nossa luta é todo dia, contra o machismo, racismo e homofobia!"
"A nossa luta é por respeito, mulher não é só bunda e peito!"
"Se o corpo é da mulher, ela dá pra quem quiser, inclusive outra mulher."
"Hey, seu machista, a América Latina vai ser toda feminista."
"Isso não é sobre sexo, é sobre violência."
"Seus rosários longe dos meus ovários!"
"Nem santa, nem puta. Livre!"


Foto de Caroline Lima
2012 foi a primeira edição. 
Mais um ano, nos reunimos para marchar.
Marchamos por muitos motivos: contra a violência, contra a opressão, contra o machismo, o sexismo e o racismo.
Marchamos pelo nosso direito de decidir sobre nossos corpos e nossas vidas, pelo Estado Laico e e pela garantia dos nossos direitos fundamentais.
Marchamos por acreditar que se não colocarmos a cara na rua, não teremos conquistas ou mudanças. Marchamos com a roupa que escolhemos, o mesmo sem ela, por acreditar que indecente é a violência, não nossos corpos.
Marchamos por defender que a luta contra todo o tipo de opressão passa pela luta anti-capitalista e que só a luta muda a vida.
Marchamos porque o grito não basta, porque a militância virtual não causa mudanças efetivas, apesar do fato das redes sociais facilitarem para que possamos no organizar.
Marchamos por acreditar que somente organizadas temos condições de lutar contra o sistema opressivo e patriarcal que o capitalismo nos impõe.
Marchamos porque atacam diariamente centenas de mulheres, verbal, física e politicamente, e quando a violência atinge uma mulher, atinge a todas.
Marchamos porque milhares morrem diariamente por conta do machismo e por todo tipo de opressão, porque não queremos ser a próxima, e porque não queremos que tenha uma próxima.
Marchamos por lutar é nosso direito, e vamos brigar por isso a qualquer custo: pelo direito de lutar, e e por lutar por nossos direitos.




Foto de Caroline Lima

Marchei porque sou mulher e negra, e como militante este é um compromisso que tenho com as minhas.
Marchei porque sou educadora, e é meu compromisso social educar para a diversidade.
Marchei porque me revindico mulher livre, e luto para que todas possam ser completamente livres.

Seguiremos em Marcha, até que sejamos todas livres!


Por MARIA,L.P.
Letícia Maria é militante do Movimento Contestação, do Fortalecer o Psol, historiadora e mestranda em Ciências Sociais.

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Sobre o PIMESP


Veridiana Alves para o Blogueiras Negras

Segunda-feira, dia 13 de Maio, foi um dia em que os movimentos negros se mobilizaram para denunciar a existência gritante do racismo na sociedade brasileira pós 125 anos de abolição, neste dia não comemoramos a lei Áurea, mas sim a denunciamos, pois trouxe apenas a igualdade formal e não material .Esta …lei também ajudou a solidificar e consolidar a hierarquia de uma sociedade que se recusou a olhar os negros enquanto seres humanos , deixando-os a margem da sociedade, sem direitos básicos como :educação e moradia. Isto caracteriza a lei Áurea como uma falsa abolição, e hoje certamente também temos a nossa falsa abolição, ou melhor, inclusão, chamada PIMESP (Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior paulista).

Não é de hoje que as universidades cumprem um papel importante neste processo de legitimação do racismo, afinal não foram das ruas que surgiram as teorias racistas ou melhor o racismo cientifico do século XIX. Então, para além de refletir sobre a sociedade , as universidades cumprem um papel de legitimar ou estabelecer certos paradigmas.

Não é por acaso que os Movimentos negros, tem como pauta de reivindicação,a transformação da educação, e como consequência uma atenção muito grande para políticas de ações afirmativas que são medidas pontuais e alternativas que visam eliminar as desigualdades étnico- raciais e sociais existentes na sociedade brasileira, tais como a Lei 10.639, que torna obrigatório o ensino de história da África e cultura afro-brasileira, em conjunto com a Lei 11.645 que acrescenta na primeira Lei citada,o ensino da história e cultura indígena.

Outro tipo de ação afirmativa, são as chamadas cotas etnico-raciais que são reservas de vagas para alunos negros e indígenas nas universidades publicas .Esta política tornou-se constitucional no ano de 2012, fazendo com que as universidades se organizassem a fim de atender esta política. Eis que neste cenário, surge como iniciativa das estaduais paulista a falsa inclusão, o PIMESP.
A Casa-grande,vulgo estaduais paulistas, resolveu ”incluir” ao seu velho e tradicional modo, pela porta dos fundos, com a criação de um College que obriga os estudantes cotitas a passarem por um curso de 2 anos a distancia, antes de adentrarem nas universidades,segregando os estudantes dos espaços de socialização das universidades. Outro ponto é que, os cotitas estarão realizando os mesmos papéis que sua ancestralidade realizou no período colonial: a de mão de obra. Enquanto os filhos dos senhores, tem direito a viajar pro exterior subsidiado com bolsas, por programas como o ”Ciência sem fronteiras”,os negros e indígenas, são ofendidos com este programa segregador e racista, que recaptura a mentalidade colonialista, de que negros e indígenas são inferiores e menos inteligentes, porem aptos para trabalhar. Dizer que negros e indígenas,necessitam de um reforço, é só confirmar a visão racista que a elite brasileira e principalmente a paulista tem.

Mas não são apenas os negros e indígenas afetados por esse projeto, os brancos pobres estudantes de escola publica, que cresceram na educação PSDBISTA, vão ter que pagar pela precariedade do ensino publico, ocasionado por este governo.

Enfim, 125 anos se passaram da ”abolição da escravidão”, e o que temos são novos grilhões, disfarçados de políticas inclusivas, que escondem o medo que a elite paulista tem de abrir as portas para quem a sustenta: o povo. E assim como a lei Áurea foi uma forma que as elites brasileiras acharam de excluir os negros da sociedade brasileira, o PIMESP exclui o povo daquilo que é dele por direito: a educação.

Eu, mulher negra e pobre, sou a favor de uma política de cotas proporcionais e que atenda de fato as demandas que os movimentos negros reivindicam: a de retirar o negro da posição de objeto, tornando-o sujeito do conhecimento e de sua história.


Veridiana Alves é mulher negra, bissexual, universitária e militante do grupo Identidade – Grupo de luta pela diversidade sexual de Campinas.

Disponivel em Blogueiras Negras, na semana do 13 de maio!

É verdade que o auxílio-reclusão é maior que o salário mínimo?


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(Imagem: Reprodução)

Me explica: é verdade isso? Eu vi no Facebook que quem fica preso ganha R$ 975 e o salário é de R$ 678.Não é verdade. Esse valor do auxílio-reclusão, os R$ 915, é o máximo que alguém pode receber. O valor real depende do salário que a pessoa recebia antes de ser presa. 

Como assim? Então não é R$ 975? É quanto?
O cálculo é feito assim: o INSS calcula uma média dos maiores salários que a pessoa recebeu. O detento recebe um auxílio que é 80% dessa média.

E qualquer um pode receber?
Aí é que está a questão, meu amigo! Não é para qualquer preso, não, ao contrário do que esses posts do Facebook dizem. A pessoa tem que ser contribuinte do INSS, para começar. Em segundo lugar, só recebe enquanto estiver em regime fechado ou em regime semiaberto. Se vai para a condicional, perde o direito. E se foge da prisão também perde! E mais um detalhe importante: do gasto total do INSS em 2011, só 0,11% foi com auxílio-reclusão, sabia? Foram gastos mais de 300 bilhões de reais em outros benefícios como aposentadoria, auxílio-desemprego e R$ 365 mil com o benefício aos presidiários. Duvida? Baixe o relatório da previdência AQUI e leia da página 732 até a 737. 

Mesmo assim, poxa, o cara recebe um salario desse para cada filho e acaba ganhando mais do que um salario mínimo. Como o cara vai querer ser trabalhador honesto desse jeito?Outro engano, meu amigo. Não é verdade que ele receba esse valor que eu contei aí em cima para cada filho. Ele recebe uma vez só por mês, não importa quantos filhos ou dependentes tenha.

Tá… Ué, mesmo assim é sacanagem: os trabalhadores honestos pagam para sustentar os vagabundos! Mesmo que seja pouco!Bom, aí a questão é outra, mas te digo que o auxílio-reclusão existe justamente para não deixar as famílias de quem é preso desamparadas. Imagine o seguinte: o cara trabalha e está contribuindo para o INSS. Aí ele é preso. De repente, a esposa e os filhos perdem uma parte importante da renda por causa disso.  De uma hora para a outra, essas pessoas vão ficar desamparadas. Isso pode ter consequências para toda a sociedade: um monte de gente não vai ter condições de se sustentar. Esse auxílio não é para premiar os presos, mas para garantir que sua família não fique sem nenhuma renda. 

Ainda acho um absurdo. O cara está lá, sem fazer nada e tem gente ganhando dinheiro com isso.
Bom, é assim que funciona um sistema de previdência social. Muita gente contribui para que todo mundo tenha direito aos benefícios se precisarem um dia. É como um seguro de carro. Você não usa o tempo todo. Mas paga mesmo assim. Pense nos aposentados: eles recebem aposentadoria porque pagaram ao INSS durante muitos anos. E vou repetir: só recebe auxílio reclusão quem é contribuinte do INSS.

Vou até fazer um resumo para explicar tudo de novo:
- Só recebe que é contribuinte do INSS
- O preso não recebe R$ 975. Esse é o valor máximo que alguém pode receber de auxílio-reclusão.
- O valor do cálculo é: 80% da média dos salários mais altos que a pessoa já teve.
- Não é verdade que cada filho do detento receba o benefício: ele é pago para a família toda, uma vez só por mês.
- Só recebe quem estiver em regime fechado ou semiaberto


Texto disponivel em http://explica.tumblr

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Informação sobre o ENEM!



A inscrições para o ENEM 2013 estão abertas e vão até 27 de maio.

As provas ocorrerão 26 e 27 de outubro.

Com o ENEM tu pode disputar uma vaga nas inúmeras universidades ou institutos federais, estaduais e municipais pelo Brasil através das cotas no SISU.

Na UFRGS tu pode usar a nota do ENEM como um bônus na nota final do vestibular.
O vestibular da Ufrgs tem 10 provas, o Enem é como se fosse uma 11ª prova.
Mas ATENÇÃO: a nota de redação do Enem não é somada a nota final.

Mais informações em: universidadepublicatodentro.blogspot.com.br


 

© 2009-2012 Movimento Contestação