mundo, em si mesmo, é a realidade do sem-sentido. O sentido é aquilo que nós emprestamos às coisas. Quando vemos algo, quando temos notícia de algo, temos a ilusão de que este algo nos revela o que é. Mas a realidade-do-que-é aguarda nossa intervenção como observador, como leitor, como ouvinte. Por óbvio, as coisas existem independentemente de nossa apreensão, mas o sentido delas corresponde sempre a uma atribuição do sujeito. Vejam os atentados de Oslo, por exemplo. Há muito para se ver ali. Mas o fato, insuperável, é que as pessoas vêem coisas completamente diferentes inclusive em um fenômeno extremo com o terror. Há quem, rapidamente, reduza tudo à loucura. Dezenas de inocentes foram massacrados porque um “maluco” decidiu assim, ponto final. Mas este “maluco” publicou na internet um manifesto de 1.500 páginas propondo a refundação da cristandade européia, alinhando argumentos racistas e combatendo o que denominou de “aliança marxista-islâmica”. Logo depois, políticos da extrema-direita europeia não se sentiram inibidos em expressar sua concordância com os “argumentos” do terrorista Anders Breivik Behring. “Terrorista”? Não para a imprensa brasileira que, como regra, prefere chamá-lo de “atirador”. Fosse muçulmano, Behring seria claramente designado como “terrorista islâmico”, mas como é um fundamentalista cristão o termo é “atirador”; muito conveniente.





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